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Guardiã da Minha Irmã (Jodi Picoult)

FICHA TÉCNICA:
Nome Original: My Sister’s Keeper
Autora: Jodi Picoult
Tradução: Julia Romeo
País de Origem: Estados Unidos
Páginas: 433
Ano de lançamento: 2003
ISBN: 9788576861294
Editora: Verus Editora

Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 63º livro lido em 2015 e foi  A GUARDIÃ DA MINHA IRMÃ (Jodi Picoult). Não me faltou motivos para desejar ler este livro e antes mesmo de conhecer qualquer coisa da autora, hoje uma das minhas favoritas, eu já queria conhecer esta história em função do filme UMA PROVA DE AMOR, que é a adaptação do livro para o cinema, que assisti em 2009 e que me comoveu profundamente.
"Sabe como de vez em quando você vê a sua vida se estendendo diante de seus olhos como uma estrada que se divide em dois caminhos e, no segundo em que escolhe um deles, já está olhando para o outro, na certeza de estar cometendo um erro?" página 27
O livro nos traz a Kate, uma menina que aos 2 anos foi diagnosticada com LPA, um tipo de leucemia rara e de cura improvável. Kate é a filha mais nova de Brian e Sara e eles tem mais um filho, o Jesse, dois anos mais velho que a Kate. Ao descobrirem a doença, os pais procuram todas as alternativas para que a filha seja curada e um dos caminhos seria o transplante de medula, porém Jesse, o seu único irmão, não é compatível para a doação e sem querer arriscar deixar a Kate numa fila por anos na espera de um doador compatível, Sara e Brian são orientados pelo médico a terem outro filho, mas esta criança deverá ser geneticamente compatível com a Kate e sendo assim, o embrião que é implantado no útero de Sara, foi geneticamente moldado e terá as características precisas para que Kate possa ter um doador.


Nasce então a Anna e desde o seu nascimento até a a dolescência, ela é a doadora de Kate, não apenas da medula, ou do sangue do seu cordão umbilical, mas durante toda a sua vida ela é como um estoque de células boas para que a doença de Kate seja vencida. Porém o tipo de doença de Kate é raro, ela tem inúmeras recaídas e apesar de sobreviver até os 15 anos com a ajuda do corpo da Anna, o seu próprio corpo já não aguenta mais tantos procedimentos e o livro começa quando Kate é diagnosticada com falência renal e necessita de um dos rins de Anna. Neste momento então, Anna decide que não vai mais se submeter à isso e entra com um processo contra os pais, reivincando emancipação médica, ou seja, ela quer ter direito ao poder de escolha quanto ao seu corpo.

O livro então se desenvolverá sobre o processo que levará Anna e os pais para um tribunal onde um juiz decidirá se Anna pode ou não escolher e de uma forma mais direta, doar ou não o seu rim para a irmã que está morrendo.
"-Você pode me dizer a resposta certa? Porque eu não sei o que é certo. Sei o que é justo. Mas nem uma coisa e nem a outra se aplica aqui. Posso sentar, pensar no assunto e lhe dizer como deveria ser. Posso até lhe dizer que deve haver uma solução melhor. Mas já se passaram treze anos e eu ainda não a encontrei." página 358
Mais uma vez a autora esmaga nosso coraçao com requintes de crueldade. Conhecemos intimamente cada personagem envolvido na trama. Temos a perspectiva de Anna sofrendo com as agulhas e internações mesmo sendo saudável; Conhecemos o desespero de Sara em querer manter a Kate viva; Entramos na mente do Jesse, o irmão que não conseguiu salvar Kate e se tornou um delinquente; Conhecemos o Brian e o seu cotidiano em salvar vidas porque ele é bombeiro e sua impotência em salvar as próprias filhas. Além da família, temos o advogado que Anna contrata, o Campbell, um homem que apesar de manter a fama de não perder causas e por vezes ser inescrupuloso para ganhá-las, carrega o seu drama interior. Por fim, conhecemos a Julia, a pessoa que o juiz designa para acompanhar a vida de Anna.

O livro é tocante e triste. Conhecemos a história sob um olhar  completo da situação. Sabemos que as duas irmãs se amam e entendemos que os pais amam as duas filhas também. A narrativa é tão bem argumentada que a autora não te dá meios para escolher um lado da história para apoiar pois todos tem seus motivos para defender aquilo que querem. Isso faz com que o seu coração se aperte conforme o livro caminha para uma conclusão que na minha opinião foi violenta, assustadora e cruel, mas foi o melhor final de todos os livros da autora.


Em função de já ter conhecimento do final em questão, não foi uma surpresa para mim, mas ainda assim, me emocionei profundamente com a forma como a autora conduziu a trama e a encerrou de forma brilhante. 

Com certeza este não é apenas mais um livro sobre a luta contra o câncer e nem sobre o amor cego de uma mãe. Muito menos sobre os limites que alguém pode chegar para proteger as pessoas que ama. Este livro fala sobre tudo isso, mas os personagens, todos eles, são tão humanos e vivos, que saltam das páginas e prendem a sua atenção de forma intensa. Você acredita que existe o certo e o errado para a situação que ele te faz refletir, mas ainda assim, não existe um único momento em que você não se sinta em dúvida.

Existem muitas diferenças entre o livro e o filme: o livro se passa em outra cidade, a idade dos personagens é diferente e o final é completamente outro da adaptação cinematográfica, e ainda que o livro seja poderosamente melhor que o filme, o filme é muito bom também e digno de apreciação. A história é fragmentada e se perde muitos detalhes e argumentos que estão no livro, mas o filme é emocionante, bonito e muito bem interpretado. Tudo no livro é mais intenso, por exemplo, no livro o Jesse é muito mais irresponsável, a Anna mais decidida, a Sara mais desesperada e o Campbell mais humano. A comparação é inevitável entre as duas obras, mas apesar do filme até subtrair alguns personagens importantes, é muito bem feito também. Assistam o trailer e não se espantem se algumas lágrimas já quiserem rolar.

Trailer Oficial:


Mais uma vez a autora usou e abusou das minhas emoções. Com a sua escrita que beira a perfeição e com uma narrativa que não deixa você sequer piscar, ela me escravizou durante toda a leitura. Sou admiradora da escrita da Jodi Picoult desde o meu primeiro contato com ela, mas se é possível, hoje eu sou mais fã dela do que era desde o último livro que li. 

Essa história tem uma conexão muito particular comigo e me transportou para épocas que eu acreditava não ter mais poder sobre mim. Me fez lembrar, reviver emoções e me fez sentir privilegiada por uma série de coisas e acho que por isso não consigo me conter ao elogiar esta obra. Já li muitos livros com personagens em situações parecidas, muitos destes já ganharam meu coração sem muito esforço, independente de minha própria história, mas este particularmente, mexeu demais com os meus sentimentos.

Recomendo sem sombra de dúvida para quem gosta de drama. A autora é a melhor neste gênero, na minha opinião com longa distância para o segundo colocado e além disso, a sua escrita é inteligente, cheia de informações, diálogos consistentes e te transportam para dentro das  mentes dos personagens como poucos autores conseguem fazer. Se você gosta do gênero e sobretudo, gosta de uma narrativa intensa e tocante, este livro é um dos melhores.
"Na nossa língua, há órfãos e viúvos, mas não há uma palavra para descrever um pai e uma mãe que perde um filho. " página 427
Amei sofrer mais uma vez nas mãos da Jodi Picoult e esse livro ficará dentro do meu coração por longo tempo. Talvez nunca mais saia...


Um pouco sobre a autora: Jodi Picoult nasceu e cresceu nos Estados Unidos. Estudou Inglês e escrita criativa na Universidade de Princeton e publicou dois contos na revista Seventeen enquanto ainda era estudante. Aos 38 anos é autora de onze best sellers. No Brasil, alguns de seus livros publicados são:


Comentários
2 Comentários

2 comentários:

  1. Olha assim que comecei a ler a sua resenha eu já comecei a perceber que tinha um pouco haver com um filme que eu havia visto, mas depois que fui descendo e vi a capa dele rs. Não sabia que esse livro era baseado nele. Nem conhecia pra te falar a verdade. Não cheguei a ver o filme todo, mas eu vi picado sabe? Eu acho linda a estória e gostaria muito de ler o livro, porque eu leio pouco do gênero em relação assunto de pessaos com doenças. Até agora acho que só li ZACK E MIA com esse tema. Mas eu quero muito conhecer outras obras assim. Esse livro me parece ser muito bom. Gostei de tudo que você abordou sobre a estória e principalmente sobre seu ponto de vista =]

    http://lovereadmybooks.blogspot.com.br/2015/11/resenha-muito-mais-que-uma-princesa.html

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  2. kkk... vc gostou mesmo dessa autora ein?
    Eu atualmente estou fugindo de livros com gente doente.
    Credo!! Experiência horrivel quando li Cante para Eu Dormir...
    Então já esgotei minha dose de drama.
    O filme eu já conhecia, não sabia que tinha ligação...
    De tanto falar estou ficando curiosa com a autora, não começaria com esse livro, mas um dia espero poder ler algum outro livro dela q não seja tããão... cê sabe.

    Raíssa Nantes

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