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A Bibliotecária de Auschwitz (Antonio G. Iturbe)


Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 56º livro lido em 2015 e foi A BIBLIOTECÁRIA DE AUSCHWITZ (Antonio G. Iturbe). Eu já tinha ouvido maravilhas sobre o livro e tinha me interessado em ler, mas infelizmente ele foi substituído por outras leituras. Porém analisando os livros lidos em 2015, senti falta de alguma biografia ou um livro de memórias e então, percebi que era o tempo de encarar esta história.

O livro nos traz dois heróis da guerra, Dita Kraus e Fredy Hirsch e eles se tornaram heróis não porque resgataram prisioneiros de guerra, libertaram nações ou salvaram da morte os judeus, mas porque tiveram coragem de introduzir a leitura e o aprendizado em meio ao caos criado pela segunda guerra mundial em que milhões de pessoas foram conduzidas aos campos de concentração. Fredy Hirsch, judeu alemão, morava em Auschwitz – Birkenau,( único campo em que havia crianças e idosos), mesmo campo em que Dita e seus pais foram levados e ele criou no bloco 31 um ambiente para que as crianças tivessem contado com a leitura. Ele designou Dita para que cuidasse da biblioteca do bloco 31 que era formada por apenas 8 livros e ela tinha a responsabilidade de que nenhum guarda descobrisse aquelas 8 joias. Dita mantinha os livros escondidos sob as tábuas do bloco 31 e muitas vezes, carregava-os consigo, escondidos em bolsos costurados pela roupa. Ela sabia que se algum guarda alemão descobrisse os livros, ela seria executada, mas mesmo com medo e apreensiva, ela não desistiu.

Dita Kraus em Auschwitz - Birkenau (1944)
Com um trabalho de parceria muito bem apurado, Dita e Fredy enfrentam situações horríveis naquele lugar repleto de doenças, descaso, fome, violência e por conseguinte, morte. O livro se desenvolve no fato que Dita precisa manter os livros em segurança e ao redor disso, os horrores da guerra são descritos com melancolia e desesperança. Dita assiste pessoas queridas morrerem de diversas doenças e se acostuma com a dor e a miséria, mas não perde nem por um minuto, a paixão pelo conhecimento e pelo prazer que apenas a leitura lhe proporcionava.

Aos olhos de muitos, é apenas mais um livro de memórias sobre o período maldito da segunda guerra mundial, mas é um livro muito bom. A narrativa intensa, quase poética de tão bem construída com o uso inteligente das palavras, me prendeu do começo ao fim. A história nos é contada sob a perspectiva de vários personagens, sempre em terceira pessoa e desta forma, temos uma visão abrangente dos personagens principais que são as pessoas próximas a Dita. Sua mãe e sua melhor amiga, participantes ativas da história, nos conquistam rapidamente. Temos ainda uma ou outra história sobre moças judias e soldados alemães que acabaram se apaixonando e nomes muito conhecidos como Josef Mengele e Anne Frank são citados.

Josef Mengele era temido como sendo um anjo da morte e as crianças no campo de concentração ouviam todo tipo de boato sobre suas maldades. A morte era certa, mas ainda assim, muitas vezes durante o livro, os personagens imaginavam como seria depois que todo aquele inferno acabasse, o que deixava que por vez ou outra, a chama da esperança não se apagasse.

Auschwitz - Birkenau

O livro é maravilhoso!!! Fredy Hirsch ganhou meu coração, minha simpatia e meu eterno respeito por entender a importância dos livros mesmo em um cenário tão obscuro e triste. Mais que isso, a descrição de quem ele era, intimamente, me fez chorar emocionada quando em um dado momento da leitura, a narrativa o descasca e nos apresenta um homem que vivia em sua guerra pessoal com a mesma bravura que vivia a guerra de todos. Dita, sempre articulada e inteligente, é a tipica personagem deste tipo de livro, mas não se trata de um clichê, talvez porque ela seja real e o fato de não ter desistido a torne poderosa.
"Zombar dos outros é como colocar um esparadrapo nos próprios defeitos" página 135
O autor que se interessou por uma história solta sobre uma biblioteca clandestina funcionando em Auschwitz, então começou a fazer sua pesquisa e em uma troca de e-mails para a compra de um livro que o auxiliaria em seu trabalho, teve a honra de descobrir Dita ainda viva e vivendo bem em Israel. O livro foi escrito com as pesquisas e o testemunho vivo da personagem principal, o que agrega muita credibilidade ao texto, mas mais que isso, nos dá um vislumbre de um final maravilhosamente feliz.

Sei que o tema Segunda Guerra Mundial é bem desgastado. Muito já se escreveu sobre ele e a internet está abarrotada de pesquisas e fotografias deste tempo triste, mas este livro aborda o cenário e a circunstância de uma forma única. É a história escrita de dentro para fora sob uma perspectiva inteligente e original. Eu adorei a aventura de conhecer Dita e torci por ela o tempo inteiro. Chorei sua dor e suas perdas e me regozijei com suas vitórias e realizações.

Para quem gosta do tema, é um banquete soberbo de informações e descrições, porém em nenhum momento é cansativo ou moroso, ao contrário, a leitura é frenética e acelerada e as 384 páginas passam de forma fluida e interessante. Para quem gosta de história real, memórias ou biografia, é um livro completo com direto a um anexo bem escrito sobre ou demais personagens e seus respectivos desdobramentos pós guerra e para quem gosta de livros que te chocam, te escravizam e te satisfazem, é leitura obrigatória. Recomendo sem medo para todo tipo de leitor, não apenas por que o livro é bem escrito e interessante, mas porque é sobretudo, um capítulo triste da história do mundo em que vivemos, uma história complexa, assustadora, mas que teve um final satisfatório para algumas pessoas.

Eu amei o livro. Sofri, chorei, refleti e me assustei, mas sobretudo, foi um dos melhores livros lidos este ano. Se tiverem a oportunidade, não pensem duas vezes. O livro vale cada letra impressa nele.
“Qualquer centelha de humor era recebida com alvoroço porque em Auschwitzo riso era mais escaço que o pão.”

Um pouco sobre o autor: Antonio G Iturbe dedica-se há mais de vinte anos ao jornalismo cultural. Foi coordenador do suplemento televisivo de El Periódico, redator da revista de cinema Fantastic Magazine e trabalha há dezessete anos na revista Qué Leer, atualmente seu diretor. Colaborou, entre outros órgãos de comunicação social, nas secções de livros dos programas de rádio e em suplementos culturais de jornais como La Vanguardia ou Avui. Publicou dois romances, e é autor de uma série de êxito de livros infantis. No Brasil, A BIBLIOTECÁRIA DE AUSCHWITZ é o seu único livro publicado.
Comentários
19 Comentários

19 comentários:

  1. Oie! Esse é um livro do qual eu sempre ouvi falar, tenho na estante há mais ou menos uns dois anos e nunca parei para ler. Gosto disso de os dois terem sido heróis em relação a passar tanto sacrifício para conseguir oferecer leitura para as pessoas. Já que você gostou tanto acabou reacendendo meu interesse de lê-lo, até mesmo para que eu saia da ressaca do último livro de segunda guerra que li, que foi O rouxinol. Uma parte que amei foi o fato de Dita ainda estar viva, isso com certeza deu muito mais credibilidade ao livro.Com certeza lerei em breve

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  2. Já tinha visto a capa do livro antes, mas nunca tinha lido a sinopse e muito menos uma resenha e caramba!!!! QUE PREMISSA LINDA.
    Eu sou louca pela história da segunda guerra mundial e tudo que é livro com esse tema me atrai, com toda certeza eu sei quer iria chorar do inicio ao fim do livro.
    Bom saber que a leitura é fluida, mas com uma premissa dessa também né hehehehe
    amei de verdade, muiiiiiito obrigada pela dica;

    http://colecoes-literarias.blogspot.com/2016/02/resenha-cartas-para-voce.html

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  3. Nossa, o título do livro me fez pensar em uma linha totalmente diferente.
    Você escreve muito bem, me arrepiei do começo ao fim da resenha, e embora não gostar muito de biografias, essa eu quero ler. Talvez não dê pra ler agora pq estou com muitas coisas para fazer e muitos livros na frente rs.
    Saber que existia um pingo de esperança em meio ao caos me fez pensar nas possibilidades que podemos criar e não a fazemos muitas vezes por pura preguiça, eles foram exemplos para a época.
    Amei a dica.
    Beijos!

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  4. Amiga como sempre eu não tenho o que falar quando leio uma resenha sua, porque tu desenvolve maravilhosamente muito bem, se você não fosse tão ocupada, eu te convidaria para ser uma das minhas resenhistas sabia? Mas como tu já me negou uma vez, n vou perguntar de novo rs...Mas mesmo assim voltando para a obra, eu não sou do tipo que lê muitos livros desse gênero, pois é bem diferente do meu gosto sabe? Mas a obra em si achei interessante, principalmente quando tu comenta do autor e sobre suas pesquisas. Isso deixa a obra ainda mais rica em detalhes e envolvendo muito mais o leitor, mas eu sinceramente não leria. Posso até um dia vim a conhecer, mas em um momento mais oportuno quem sabe.


    http://lovereadmybooks.blogspot.com.br/2016/02/resenha-virando-amor.html

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  5. Oi Ivi!
    Não vou mentir e sempre sofro com as histórias do período da segunda guerra. Já li vários livros, e sempre choro nas tramas, pois foi um período tão duro e triste, que é impossível eu ficar indiferente. UQando a história, nota-se que é trama intensa, onde vai me deixar com o coração na mão, quando acompanhar todas as dificuldades.
    Umó timo livro!
    Bjks!

    Histórias sem Fim

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  6. Não costumo ler livros que retratam aquela época fatídica, um sofrimento tão real que sempre me deixa melancólica. Por isso costumo evitar tais leituras. Porém acredito que é super válido conhecemos os erros que ocorreram em nossa história e suas vítimas, pra que munidos desse conhecemos não deixamos que tais erros voltem a acontecer. Gostei da sua resenha e apesar de não ler acho válida à tentiva que farei de conhecer mais a fundo essa história.

    Abçs
    Sou bibliófila

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  7. Olá Ivi,
    Esse livro está na lista há um bom tempo, mas sempre adio, sabe?
    Um livro de memórias, em minha opinião, é sempre difícil de você devorar, pois acho mais complexo.
    Gostei muito da sua opinião e de saber que ele chega a ser poético, pois adoro quando a escrita fica assim.
    Espero ter a oportunidade de ler o livro e passar pelos mesmos sentimentos que você passou.
    Beijos,
    http://mileumdiasparaler.blogspot.com.br/

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  8. Nossa, esse livro eu quero para ontem. Eu gosto muito de histórias ambientadas na segunda guerra e creio que elas nos ajudam a refletir sobre o que o ser humano é capaz tanto no lado ruim como no bom.
    Imagine em meio ao caos, encontrar uma alegria com os livros.
    Tenho certeza que vou chorar e MS emocionar na leitura assim como você.
    Bj
    Camila Bernardini Coelho

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  9. Ivi! Que resenha magnifica! Fiquei maravilhada com esse enredo e já quero fazer essa leitura pra ontem! É tão bom quando os livros nos trazem reações físicas! Eu gosto muito de livros que se passam na segunda guerra, e esse parece ser um exemplar maravilhoso! Já tinha lido alguns comentários sobre ele, mas sua resenha foi o gatilho para que eu me interessasse realmente pela leitura!Meus parabéns!
    Beijooos

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  10. Oi Ivi, tudo bem?

    Realmente, existem vários livros sobre a segunda guerra mundial, mas achei a perspectiva desse realmente interessante, mostrando a importância da leitura em um ambiente tão hostil. A Dita e o Fredy com certeza foram dois heróis, e entendo você ter torcido por eles. E gostei muito do autor ter se colocado na história e toda a pesquisa que ele realizou para escrever o livro.

    Beijinhos,

    Rafaella Lima || Vamos Falar de Livros?

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  11. Livros com essa temática sempre despertam o meu interesse. Tenho ele aqui em casa, mas ainda não comecei a ler. Lembro que ao pegar a sinopse pensei "preciso conhecer essa obra". Tanta dor, tanto sofrimento, um ambiente tão inóspito... E ainda sim encontravam um grão de esperança no qual se agarrar e tentar sobreviver a mais um dia.

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  12. Olá, tudo bom?

    Amei sua resenha! Apesar de não ter o costume de ler biografias ou livros de memorias, acho esse tipo de leitura tão interessante, pois conhecemos de perto histórias reais e, muitas vezes, chocante. Esse livro me despertou a curiosidade só por ser sobre a Segunda Guerra Mundial, que é o meu período histórico favorito.

    Obrigada pela dica ;)

    Beijos.

    http://instantesmemoraveis.blogspot.com.br/

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  13. Pera ai, vou ali na livraria comprar um livro desse pra mim porque necessito. Gente que livro bom é esse hein, o enredo com certeza me cativou.

    Frases, Trechos e Pensamentos

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  14. Eu acho que já falei isso aqui, livros com um teor histórico como esse sempre me fascinam, acho que os que retratam essa guerra sendo ficção ou não, são os melhores. Eu fiquei muito interessada em saber mais sobre esse livro e espero poder ler em breve e ver o desenvolvimento dessa história, me pareceu ser maravilhoso

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  15. Oi Ivi, eu sou suspeita de falar pois sou apaixonada por livros com o tema da segunda guerra mundial, então esse já faz um bom tempo que está na minha lista e só não tive tempo de ir atrás ainda, vendo sua resenha fiquei mais cativada ainda para conhecer essa trama o quanto antes!

    Beijos

    http://www.oteoremadaleitura.com/

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  16. Oi.

    Sempre gostei de livros que retratassem essa época, confesso que nçao foram muitos livros lidos, mas mesmo assim eu gosto, e esse particularmente me interessou muuuito, agora fiquei com uma vontade enorme de ler, só que aí paro pra pensar que nesse momento estou sem tempo para nada, e que vou ter que colocar ele no lugar de outro livro se eu quiser ler. Mas assim que tiver u tempinho quero muito ler.

    Beijos.

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  17. Oie! É verdade que a 2ª GG foi um episódio bem triste da história humana e que existem vários livros e matérias a respeito, mas eu sempre gostei de ler sobre esse acontecimento - sempre agradecendo por já ter acabado, mesmo que me entristeça saber que aconteceu. Acredito quando você diz que este é um livro único. Mesmo não o tendo lido, me emocionei com suas palavras, imaginando a luta que os dois passaram para ajudar tantas outras pessoas. A princípio, achei que não ia me interessar por se tratar de um livro de memórias, mas, conforme fui lendo a resenha, fui mudando completamente de opinião e saber que uma das protagonistas dessa batalha ainda vive me encorajou ainda mais para iniciar a leitura. Sua resenha ficou maravilhosa! ♥

    Beijos,
    Fernanda F. Goulart,
    Império Imaginário.

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  18. As minhas leituras de livros que se passam na segunda guerra sempre são positivas, mas é algo que eu não faço questão de ler, o tema dessa obra não me saltou aos olhos, mas é bom saber que é bem emocionante e uma boa aula de história.

    http://deiumjeito.blogspot.com.br/

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  19. Oi!
    Nossa esse livro parece ser tão lindo, inspirador e triste! Confesso que as vezes não me dou muito bem com esse tipo de leitura, pela melancolia e tristeza que acabo sentindo por saber que um ser humano passou por situações tão horrendas quanto as que acometeram os judeus. Enfim, mesmo tendo achado a premissa incrível, não sei se lerei essa obra, mas adorei a sua resenha e os pontos que você abordou!
    Abraços,
    Andy - StarBooks

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