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O Escaravelho do Diabo (Lúcia Machado de Almeida)


Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 38º livro lido em 2015 e foi O ESCARAVELHO DO DIABO (Lúcia Machado de Almeida). Quando pensei em fazer a maratona de releituras, uma das primeiras coisas que me passou pela cabeça foi reler um livro da série vaga-lume e como todos os que eu tinha já estavam em poder do meu filho, pedi para que ele escolhesse um aleatoriamente para mim e ele escolheu este. Eu li este livro pela primeira vez em 1988 e não lembrava se eu havia gostado ou não, apenas lembrava que ele é um dos livros da série mais famosos e que em breve ganhará uma adaptação cinematográfica.

O livro nos traz Alberto, um jovem estudante de medicina que nos primeiros parágrafos assiste o irmão Hugo, um ruivo de sardas no rosto, receber pelo correio um besouro morto. Ambos acreditam que aquilo não passa de uma brincadeira de algum amigo dele, porém no dia seguinte, Hugo é encontrado morto na sua cama. A partir daí, uma série de assassinatos começa a acontecer e as vítimas são todas ruivas, sardentas e receberam antes de morrer, um besouro.

O livro então vai se desenvolver na investigação das mortes e em encontrar o verdadeiro assassino. Pistas jogam o leitor de um lado para o outro e algumas suspeitas vão nascendo no decorrer da história e uma destas suspeitas é a jovem Verônica, por quem Alberto tem muito interesse.

Não sei se é porque o livro é muito famoso entre os leitores da minha geração ou porque é um caso de suspense e mistério escrito para pré-adolescentes, mas a leitura foi um pouco enfadonha para mim. Algumas partes da narrativa são inconsistentes como o fato de Alberto ser de uma família rica e andar de ônibus ou a grande maioria dos personagens não ter seus perfis bem desenvolvidos ao ponto do leitor poder analisá-los com mais informações. Sem falar que por ser um livro infanto-juvenil, determinadas expressões são estranhas, como por exemplo na seguinte frase: “(...) Roma, Florença e Veneza o fascinavam com suas já tão decantadas maravilhas, as velhas pequenas cidades o enterneciam.” Claro que um vocabulário rico é o objetivo de todo e qualquer leitor, mas questiono o uso deste tipo de expressão quando estamos falando de uma literatura quase infantil.

A narrativa é rápida e enxuta. Não existem descrições de lugares ou pessoas, salvo pelo fato de que as vitimas são ruivas e sardentas, pouco se sabe da estrutura física dos outros personagens. As emoções também são pouco exploradas. Alberto encontra o irmão morto e ajuda na investigação, mas nada se fala da dor da sua perda e o mesmo acontece com os outros personagens que tiveram familiares assassinados e eu senti falta disso.

A conclusão do mistério é quase automática e eu achei fraca mediante toda a investigação que fizeram ao longo do livro. O final também é sintético, sem grandes explicações. Fiquei um pouco decepcionada com o livro porque a lembrança que eu tinha é que era um livro legal, e na minha opinião embora a história seja original e tenha força para ser algo interessante, ficou muito aquém do que eu esperava.

Enfim, trata-se de um passatempo que tem como público alvo crianças na faixa dos 10 aos 15 anos, mas questiono se este livro atrairia a atenção das crianças de hoje. Vale a pena ler por se tratar de um clássico da nossa literatura infanto juvenil, mas nem de longe para mim foi uma leitura proveitosa.

Recomendo com reservas, alertando que é muito menos do que se falam.
"... a dor deixa de ser triste quando nos aproximamos dela para suavizá-la". página 22
"Não venha me dizer agora que se, por exemplo, um homem caridoso, útil e necessário como o senhor, viesse a ser assassinado, Deus teria permitido isso a fim de beneficiar a alma de fulano ou sicrano... Era o que faltava!" página 54
Meu filho escolhendo o livro para mim:

video


Um pouco sobre a autora: Lúcia Machado de Almeida nasceu na Fazenda Nova Granja, município de Santa Luzia, Minas Gerais, em 1910 e faleceu em 30 de abril de 2005. Ainda criança, mudou – se para Belo Horizonte. Entre os vários prêmios que conquistou, destacam-se: Medalha de Ouro da Bienal do Livro, de São Paulo; Prêmio Othon Bezerra de Mello, da Academia Mineira de Letras; além da Condecoração Stella Delia Solidarietà (Medalha de Mérito Cultural do Governo Italiano) e de Chevalier des Arts et des Lettres, do Governo Francês. Foi jornalista profissional, tendo se iniciado nessa carreira quando adolescente. Seus principais livros publicados são:
  • Estórias do Fundo do Mar
  • Lendas da Terra do Ouro
  • O Caso da Borboleta Atíria
  • O Escaravelho do Diabo
  • Passeio a Sabará
  • Passeio a Diamantina
  • Passeio a Ouro Preto
  • Aventuras de Xisto em 1957
  • Xisto no Espaço em 1967
  • Xisto e o Pássaro Cósmico (originalmente, Xisto e o Saca-Rolha) em 1974
  • Passeio a Ouro Preto'
  • Passeio ao Alto Minho
  • Spharion Aventuras de Dico Saburó
  • Asteróide
  • O Mistério de Douradinha
  • O falcão de penas salpicadas em 1986
Comentários
3 Comentários

3 comentários:

  1. Eu tenho receio de reler essas obras da minha infância e ter a mágica daquela época perdida... hoje somos leitores maduros e esperamos muito do que lemos, e acredito que essas obras realmente ficaram aquém do adulto que leu isso há mais de 20 anos... ótima resenha !!!

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    1. Não acho que a mágica foi perdida, no meu caso, não houve a mesma conexão que houve no passado. Este mês reli A DROGA DA OBEDIÊNCIA que também é um livro infanto juvenil e que eu li quando eu tinha 11 anos e foi uma leitura muito proveitosa. Enfim, valeu apena pelo reencontro com a história.

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  2. Olá
    eu já vi comentários bem bacanas a respeito desse livro, e fiquei bem interessado quando li as resenhas, não conhecia ele, na verdade eu não conheço muitos livros da Atica, mas espero ver mais o trabalho da editora
    Bjks
    Passa Lá - http://ospapa-livros.blogspot.com.br/

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