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Sobre a Escrita (Stephen King)


Hoje eu venho com mais uma resenha de um livro de Stephen King, o recém lançado pela editora Suma de Letras, “Sobre a escrita”. Esse livro foi lançado nos EUA em duas versões, a primeira no ano 2000 e a segunda, de onde foi feita a tradução brasileira, no ano 2010. O autor escreveu logo após o acidente quase fatal que ele sofreu em 1999, acidente que ele conta em pormenor na terceira e última parte desse livro. Finalmente depois de longos 15 anos da primeira versão, o livro foi lançado aqui no Brasil.
“Sobre a escrita” não é um livro de ficção, também não é autobiografia, apesar do autor nos contar sua infância na primeira parte do livro e contar o acidente na última parte, ele faz isso para, primeiro enfatizar como começou sua paixão pela escrita e os fatos que aconteceram em sua vida que ajudaram com que ele tivesse muitas das ideias para seus contos e romances. E na última parte ele conta como a escrita o ajudou a ter forças para sobreviver ao acidente e, também, como ela o ajudou a não se entregar as dores e dificuldades que passou em sua reabilitação. Eu li o livro como se Stephen King tivesse me escrito um e-mail contando detalhes de sua vida e ao mesmo tempo dando dicas de como estruturar um texto e desenvolver as ideias e transformá-las em uma história envolvente para todo tipo de leitor. Stephen King é sem sombra de dúvidas o maior contador de histórias da atualidade. Pena que eu não tive como responder ao “e-mail”.
Nesse livro, Stephen King é bastante objetivo e passa de forma prática suas dicas de como se iniciar na carreira de escritor e nos conta sua experiência no início da carreira mesclado com suas memórias de infância. Ele mesmo fala que não vai se estender muito em um livro mais técnico porque nós leitores não podemos perder tempo, e ele tem outras histórias para escrever. Ele é divertido e isso torna a leitura bem mais leve e fácil. Até mesmo quando ele conta o acidente na última parte do livro, ele o faz de maneira divertida até nos darmos conta que não é engraçado, afinal ele quase morreu! Mas ele vai nos levando do jeito que ele quer e nos envolvemos com sua narrativa.
Ele dá dicas movido por sua experiência, tais como: Preste atenção ao que acontece ao seu redor; escreva com a porta fechada, reescreva com a porta aberta, não use muitos advérbios, preste atenção aos diálogos etc.
“Gold disse outra coisa interessante no dia em que entreguei meus dois primeiros artigos: escreva com a porta fechada, reescreva com a porta aberta. Em outras palavras, você começa escrevendo algo só seu, mas depois o texto precisa ir para a rua.” (Pág. 54)
Ele diz que do cotidiano tirou a maioria de suas histórias, em coisas simples como quando sua avó juntava selos para trocar por produtos e ficava com a língua verde quando passava a língua nos selos para colá-los em uma cartela e ele ficou pensando em como seria bom fabricar selos verdes no porão de casa e poder trocar por coisas grandes, como uma casa, assim surgiu o conto “Selos felizes”. Seu irmão Dave, quando eles eram crianças, represou um riacho que passava pela rua onde eles moravam inundando toda a rua e mais tarde, Stephen escreveu uma cena assim no livro IT-A Coisa. A grande maioria de seus contos ou romances ele nos fala de onde surgiu a ideia, e dessa forma podemos ver a história de uma maneira diferente.
Tenha cuidado se você tiver interesse em ler esse livro e ainda não leu os maiores clássicos do autor, porque ele nos conta sobre alguns desses livros. Como surgiu a ideia de escrevê-los, como desenvolveu a ideia e conta até o final dos livros. O próprio autor dando spoiler de seus maiores sucessos! Ele conta praticamente tudo de “Carrie – A estranha”, “A dança da morte”, “Misery”, “Zona Morta”, então se você ainda não leu esses livros, fique atento. Eu deixei de ler uns dois parágrafos do momento que ele estava contando de “A dança da morte”, porque esse é o livro dele que estou lendo agora, os outros livros eu já li então não me atrapalhou, mas com certeza quem não leu e não gosta de saber da história, vai passar muita raiva se ler esse livro sem aviso.
Não espere um livro técnico com dicas de como se tornar um escritor de sucesso. Ninguém vai terminar de ler o livro e já sair escrevendo e achando que já está pronto para publicar. As dicas que ele dá é sobre a sua experiência, o que não deixa de ser dicas importantes. Podemos ver que o ato de escrever vai muito além da vontade de fazê-lo e do estudo que se possa ter sobre isso, escrever é mais um dom, algo inato que a pessoa pode desenvolver. Lemos o livro e vai dando uma vontade de escrever alguma história, e antes do final achamos melhor deixar isso para os grandes mestres.
Não espere também por um livro autobiográfico. Apesar de Stephen nos contar várias situações de sua vida, desde antes de começar a escrever, de quando ele já escrevia e até os dias atuais, ou melhor, os dias atuais de quando o livro foi publicado, não podemos classificá-lo como tal. Na verdade, é um livro para se ler sem pensar em uma classificação bibliográfica, pense em somente em um livro de “não-ficção” e divirta-se com as histórias de vida, as histórias do cotidiano, as histórias que inspiraram Stephen a escrever suas histórias, e assim nos levar pelo seu mundo mágico, com personagens tão reais que muitos dão até medo.
“A língua nem sempre usa gravata e sapato social. O objetivo da ficção não é a correção gramatical, mas fazer o leitor se sentir à vontade e, depois, contar uma história. Fazer com que ele esqueça, sempre que possível, que está lendo uma história. O parágrafo de uma única frase lembra mais a fala que a escrita, e isso é bom. Escrever é seduzir. Falar bem é parte da sedução. Se não fosse, porque tantos casais começariam a noite jantando e a terminariam na cama?” (Pág. 118)

Um pouco sobre o autor: Stephen Edwin King é um escritor americano, reconhecido como um dos mais notáveis escritores de contos de horror fantástico e ficção de sua geração. Os seus livros venderam mais de 350 milhões de cópias, com publicações em mais de 40 países. Seus livros publicados no Brasil são:

1975 – A Hora do Vampiro (Salem’s Lot)
1978 – A Dança da Morte (The Stand)
1979 – A Zona Morta (The Dead Zone)
1980 – A Incendiária (Firestarter)
1981 – Cão Raivoso (Cujo)
1983 – Christine (Christine)
1983 – O Cemitério (Pet Sematary)
1983 – A Hora do Lobisomem (Cycle of the Werewolf)
1984 – O Talismã (The Talisman, escrito com Peter Straub)
1987 – Os Olhos do Dragão (The Eyes of the Dragon)
1987 – Angústia (Misery)
1987 – Os Estranhos (The Tommyknockers)
1989 – A Metade Negra (The Dark Half)
1990 – A Dança da Morte (expandida) (The Stand: The Complete& Uncut Edition)
1991 – Trocas Macabras (Needful Things)
1992 – Eclipse Total (Dolores Claiborne)
1994 – Insônia (Insomnia)
1995 – Rose Madder (Rose Madder)
1996 – À Espera de Um Milagre (The Green Mile)
1996 – Desespero (Desperation)
1998 – Saco de Ossos (Bag of bonés)
2001 – O Apanhador de Sonhos (Dreamcatcher)
2001 – A Casa Negra (Black House, escrito com Peter Straub)
2002 – Buick 8 (From a Buick 8)
2006 – Celular (Cell)
2008 – Duma Key (Duma Key)
2011 – Novembro de 63 (22/11/63)
2015 - Sobre a escrita
2015 - Escuridão total sem estrelas

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