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Dois Garotos Se Beijando (David Levithan)


Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 21º livro lido em 2015 e foi DOIS GAROTOS SE BEIJANDO (David Levithan). Existe uma certeza quanto aos livros do David em relação à mim: se ele escreveu, eu apreciarei.

Este livro nos traz dois adolescentes, Harry e Craig, que decidem entrar para o Guinness Book por trocarem o beijo de maior tempo já registrado na história e para isso eles precisarão se beijar por 32 horas. Mesmo sabendo que sendo um casal gay eles levantarão a ira dos preconceituosos, eles não se inibem e com a ajuda de amigos, eles desenvolvem uma maneira para que seja filmado e que o beijo seja transmitido ao vivo para um canal na internet. Sendo assim, o mundo acompanhará essa aventura e a história irá se desenvolver durante este período.

O livro é narrado na primeira voz do plural, logo entendemos que o narrador representa um grupo de pessoas e já nos primeiros parágrafos conseguimos identificar quem é que nos conta essa história: os homossexuais do passado e, grande parte da sensibilidade do texto se dá em função desta voz fazendo um constante paralelo em como era e como é a vida de um gay.
"Só porque hoje está melhor, não quer dizer é sempre bom" página 11
Além de Harry e Craig, conhecemos histórias de adolescentes próximos e que vivem realidades parecidas. Temos Tariq, que foi vítima de uma violência extrema em função de sua homossexualidade. Temos o Cooper, um adolescente que não sabe como canalizar sua energia, viciado em internet e aplicativos de encontros virtuais e que esconde da família sua natureza. Temos Ryan e Avery, se conhecendo, se descobrindo e se aceitando e temos Peter e Neil, apaixonados, dentro de um namoro saudável e comprometido

As histórias não se entrelaçam exatamente, mas não consigo imaginar o livro sem qualquer destes personagens porque de uma forma ou de outra, eles agregam ao texto novas perspectivas e sentimentos que não encontraríamos apenas em Craig e Harry, ou em Peter e Neil. O livro é uma soma de testemunhos que podem chocar e podem nos fazer acreditar que nada é mais importante que o amor.

Eu adorei a leitura e me emocionei em muitos trechos. David Levithan mais uma vez desenvolve uma narrativa quase poética, de tão bonita de ser lida. Com a escolha de palavras certas, com a criação de situações fortes e com uma mensagem clara, óbvia, mas que nunca deve parar de ser repetida; Não existe forma errada de amor

O livro é emocionante quando o narrador nos conta de como foi ver amigos morrendo de AIDS e como isso poderia ter sido amenizado se os testes e as pesquisas não tivesses sido negligenciados apenas porque a síndrome foi descoberta em gays. o livro é chocante quando o narrador compartilha que muitos tiveram que abandonar a família porque eram considerados aberrações, doentes e desequilibrados apenas porque não estavam dentro do padrão. Tão dolorido quanto isso, foi a tentativa de formar sua própria família e ela não ser aceita pelas leis, pela sociedade e pela fé.

Apesar do mundo ter evoluído e as pessoas estarem mais suscetíveis a entender que amor é amor, o narrado lamenta que alguma coisas não mudaram e aconselha os personagens do livro, quase como em uma voz da consciência, a não desistirem, a não abrirem mão de si mesmos em função de algo que não são. 

Eu particularmente prefiro a capa original publicada nos Estados Unidos, achei que a editora que o publicou no Brasil se acovardou mediante ao choque que poderia causar, mas independente de qualquer coisa, o livro é um clamor em vários aspectos e um alerta para que a geração de hoje possa entender que o amor do outro não deve incomodar.

A história é linda, os personagens me conquistaram logo nas primeiras páginas e ainda que eu saiba que este é um tema que não se discute em determinadas esferas por ainda ser considerado um tabu, algo errado e pecaminoso, eu o recomendo à todas as pessoas. 

A cada nova história que o David Levithan me conta, mais e mais me fideliza enquanto leitora. Admiro sua coragem, sua sensibilidade e seu talento. 

Eu amei!!!
Que palavra poderosa, futuro. De todas as abstrações que podemos articular, de todos os conceitos que temos e os outros animais não têm, como é extraordinária a capacidade de ver um tempo que nunca foi vivenciado. E como é trágico não acreditar nele. O quanto nos irrita, por termos um futuro tão limitado, ver uma pessoa deixá-lo de lado como se não tivesse importância, quando ele tem a
capacidade infinita de ser importante e um número infinito de significados que podem ser encontrados ao longo dele. página 107

Um pouco do autor: David Levithan é um escritor norte americano, nasceu em 07 de setembro de 1972, New Jersey. Seus livros publicados no Brasil são:


Comentários
1 Comentários

Um comentário:

  1. Olá Ivi, tudo bem?? A bastante tempo estou interessada neste livro,ainda mais de saber que a historia possui outros personagens na engrandecem o livro também. Adorei a outra capa também,espero poder conferir em breve.Beijo♥

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