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TREM BALA (Martha Medeiros)


Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 8º livro lido em 2014 e foi TREM BALA (Martha Medeiros).
TREM BALA reúne uma série de textos da autora escritos em sua coluna para o jornal gaúcho Zero Hora. Neles, a autora reflete sobre o que quer o ser humano, sobre relacionamentos, sejam eles virtuais ou reais, o fim da paixão nos tempos modernos, seus escritores, livros e neuras preferidas, sobre a rivalidade de um bom beijo versus uma transa insossa, e muito mais. Ela fala tranquilamente sobre coisas do dia a dia como se tudo fosse uma conversa tranquila com o leitor, ela dá o seu ponto de vista, arqgumenta o mesmo com bastante sensatez e ainda que você discorde de suas opiniões, entende que ela tem a sua razão para pensar e concluir aquilo.
Estes textos foram escritos entre 1998 e 2000 e encontramos a Martha divagando sobre temas importantes como eleições ou temas amenos como a sua opinião sobre o amor que um fã tem pelo seu ídolo. Ela fala sobre a virada do milênio e sobre as aspirações que as pessoas tem em cada mudança de ciclo.
Como sou admiradora da autora e me sinto um pouco íntima de sua escrita, encontrei nesta coletânea de crônicas uma certa antipatia para com determinados temas e posicionamentos em contraponto com sua maneira leve em entender que somos parte de um todo e cada um contribui como pode e com o que sabe.
Como uma lupa programada, é assim que vejo a forma como Martha Medeiros olha pra vida, ampliando apenas o que realmente vale a pena, a simplicidade do cotidiano que de simples não tem nada se observado com atenção.
Super recomendo a leitura e por se tratar de textos independentes, não precisa necessariamente ser lido em ordem, pode-se ler uma crônica hoje, duas amanhã, outra na semana que vem e assim você mesmo dita o ritmo de leitura que pretende ter.
O livro é recheado de aforismos interessantes, mas vou deixar para vocês a minha crônica preferida.

A DOR QUE DÓI MAIS
Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói.  Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.

Mas o que mais dói é saudade. 
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua pintando o cabelo de caju. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango assado, se ela tem assistido às aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer. (Julho de 1998)

Sobre a autora: Martha Mederios nasceu em 20 de agosto de 1961, em Porto Alegre-RS. É colunista dos jornais ZERO HORA e O GLOBO. Suas obras publicadas são: 

  • Strip-Tease (1985) - Poesia
  • Meia noite e um quarto (1987) - Poesia
  • Persona non grata (1991) - Poesia
  • De Cara Lavada (1995) - Poesia
  • A Terra Gasta (1996) - Poesia
  • Poesia Reunida (1998)
  • Geração Bivolt (1995) - Primeiro livro de crônicas
  • Topless (1997) - Crônicas
  • Santiago do Chile (1996) - guia de viagem
  • Trem-Bala (1999) - Livro de crônicas, adaptado para o teatro.
  • Non Stop (2000) - Crônicas
  • Cartas Extraviadas e Outros Poemas (2000)
  • De Café e Cogumelos (2001) - Crônicas
  • Divã (2002) - Romance que deu origem a peça, ao um filme e a série de TV.
  • Montanha-Russa (2003) - Crônicas
  • Coisas da Vida (2005) - Crônicas
  • Esquisita como Eu (2004) - Infantil
  • Selma e Sinatra (2005) - Romance
  • Tudo que Eu Queria te Dizer (2007) - Adaptado para o teatro.
  • Doidas e Santas (2008) - Crônicas - Adaptado para o teatro.
  • Fora de Mim(2010) - Romance
  • Feliz por Nada (2011) - Crônicas
Comentários
13 Comentários

13 comentários:

  1. Eu só leio colunas dela quando aparecem em algum jornal... Mas nunca li nenhum livro dela, gosto muito da forma como ela analisa o cotidiano também, espero ler algum de seus livros um dia. :)

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  2. O livro realmente parece ser muito bom, para aqueles que gostam de contos/crônicas, o que não é o meu caso, ainda mais quando reúne em livro contos/crônicas de diversos assuntos.
    Essa leitura eu vou deixar passar.
    Abraços
    Vivi

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  3. Eu não conhecia a autora muito menos o seu livro, ele parece ser bom, mas não creio que venha me agradar muito, acho que falta algo, não é completamente de meu agrado, por enquanto não pretendo ler o livro.
    Beijos!!!

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  4. Por hora eu passo, quem sabe mais para frente.
    Bjs, Rose.

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  5. Sei que a autora escreve bem, mas não é muito meu estilo, seria um daqueles livros para ler cada texto entre um ou outro livro.
    Bjs

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  6. Não sou muito fã de crônicas, mas esse livro parece ser muito bom. Acho que a leitura valeria a pena, mas no momento estou a procura de outro estilo literário :)
    Beijos!

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  7. Não conhecia a autora e também não sou muito fã de cronicas, então é bem provável que não leia o livro...

    Meu Mundo, Meu Estilo

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  8. Martha tem um jeito fora do comum para escrever. Ela é simplesmente perfeita. Adoro os seus contos. Esse livro meu noivo tem, mas ainda não li.
    M&N | Desbrava(dores) de livros

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  9. Não fiquei muito interessada neste livro. Talvez por se tratar de crônica que não costumo ler, mas também não foi muito chamativo os assuntos que o livro trata.
    Não leria no momento.

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  10. Não conhecia o livro.... mas me parece bem interessante.
    Não sou muita fã do gênero, mas pelos pontos positivos acho que daria uma chance.

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  11. Parece interessante e muito bem escritos, eu adoro livros que discutem sobre o ser humano e seu comportamento e esse livro se encaixa nessa categoria, adoraria por as mãos nele.

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  12. Não gosto muito de ler cronicas, não como gosto de contos, mas a autora aprece ter uma visão bem interessante e ser um boa escritora, afinal tem bastante coisas lançadas!

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  13. Cônicas da Martha <3
    Estou louca para comprar mais livros dela, e esse parece ser bem especial!
    Obrigada pela dica Ivi, literatura nacional da mais bela qualidade!
    Beijão
    Endless Poem

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